Aiii aqueles dias que você acorda e parece que está tudo do avesso…

Esqueci de colocar o despertador mais cedo para a reunião tão esperada, e que adianta agora todo o cuidado em separar uma roupa adequada, se nem um batom vou conseguir passar?

Já no caminho me dou conta que não penteie os cabelos e, devido a pressa, acabei esquecendo as anotações que havia preparado.

Saco!!!

Respira…. Você precisa se acalmar, como chegar assim na reunião?

Pronto, agora mais essa, trânsito! E o motorista do UBER alerta para o aviso do rádio: acidente na Marginal Pinheiros.

Para quem mora em São Paulo sabe que isso é uma péssima notícia, a cidade para quando acontece algo assim em uma das marginais.

Meu Deus! O que falta mais me acontecer? Que dia! E ele está só no começo!

Agora a fome começa a bater e isso só ajuda o nervosismo aumentar. Resumo da ópera, estou totalmente desequilibrada.

Onde isso tudo vai me levar?

Ligo para o cliente, aviso sobre o atraso, culpo o trânsito é claro, e já que está tudo perdido resolvo tentar me acalmar.

Começo a ficar atenta à minha respiração e ensaiar um início de meditação, quando o motorista, acredito que já entediado com o trânsito, resolve trocar de estação na rádio e entra um sertanejo daqueles.

Respira… Não é você a ninja que já meditou até no meio do movimento da Avenida Paulista?

Percebo que meu grau de irritabilidade está no máximo, parece que a música está tocando dentro da minha cabeça.

Só consigo ouvir aquela melodia melosa e me rendo, quem sabe crio um novo estilo de meditação? Ao som de Chitãozinho e Chororó ou Fernando e Sorocaba… Aff!

O que me resta é prestar atenção à música

Foi quando ouvindo o refrão:
Nem vou culpar o vento por essa bagunça
Se fui eu que deixei a janela aberta
Então é minha culpa ai ai
E já que entrou na minha vida leva é toda sua…”

“Caiu a ficha” do tamanho daquele trânsito. Do que é que estava reclamando? Do celular que não despertou? Do trânsito? Do motorista que colocou o sertanejo?

Estava reclamando do “outro”, do externo, isso tudo para me safar da minha culpa, eu errei, eu pisei na bola, eu causei tudo aquilo, sou responsável!

Onde esta onda de irritação ia me levar?

Caso a letra da música não tivesse me lembrado que eu sou responsável pelo que acontece comigo, não teria parado para refletir, e sabe-se lá o que mais poderia acontecer para me irritar mais ainda.

Foi apenas um fato rotineiro, mas por ter tido um momento de presença e lucidez consegui corrigir minha rota e aprender, para que em acontecimentos parecidos reaja de uma maneira mais madura e responsável.

Trazendo a responsabilidade para mim, me perdoei e me equilibrei, daí tudo fluiu.

Lógico que não escapei do trânsito, do atraso e da má impressão com o cliente, mas por estar mais tranquila e presente pude desempenhar bem na reunião e sair de lá com mais uma parceria fechada.

Obrigada Bruno e Marrone, pelo menos eu me dei bem com o Beijo na Varanda.

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